As medidas de proteção contra o novo Coronavírus podem ser abandonadas depois da vacina?

Usar máscara sempre que sair de casa, higienizar constantemente as mãos com água e sabão ou álcool em gel 70%, manter distanciamento mínimo das demais pessoas, evitar aglomerações… Todas essas medidas de proteção contra o novo Coronavírus podem ser deixadas de lado depois que a pessoa for vacinada? Para falar sobre o assunto, o Grupo Leforte convidou o Dr. Carlos Quadros, infectologista e coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), do Hospital e Maternidade Christóvão da Gama.

NOVO CORONAVÍRUS – de um modo geral, o que são vírus e quais os tipos que existem?

Dr. Carlos Quadros – os vírus são seres muito simples, basicamente compostos de material genético e proteína. Às vezes, essa proteína junto com gordura forma uma capa que o protege. Eles são, obrigatoriamente, parasitas celulares, pois dependem de outras células para conseguirem se reproduzir. Existem duas grandes classes de vírus: os que chamamos de vírus RNA e os vírus DNA, sendo que essas classes se subdividem em famílias. Uma parte dos vírus possui uma capa protetora e a outra não tem essa capa.

Sobre o novo Coronavírus, ele pertence à uma família conhecida de vários tipos de coronavírus. Quatro deles provocam resfriado comum e três outros, doenças graves que são: a SARS, a MERS e a Covid-19, que é causada pelo tipo de coronavírus que recebeu o nome de SARS-COV-2, chamado popularmente de novo Coronavírus.

NOVO CORONAVÍRUS – o que é a mutação do vírus e por que ela acontece de um modo geral?

Dr. Carlos Quadros – quando qualquer vírus é replicado, é possível que aconteçam pequenos defeitos, que podem ou não o beneficiar. Isso acontece, principalmente, com o vírus RNA. Pois as enzimas que eles utilizam para o processo de replicação causam, frequentemente, pequenos erros que dão origem às mutações.

NOVO CORONAVÍRUS – as mutações do vírus podem torná-lo resistente às vacinas?

Dr. Carlos Quadros – a grande maioria das mutações não interfere nas atividades dos vírus em geral. Mas é possível que eles se tornem mais resistentes a uma vacina, possam se transmitir com mais facilidade e até fiquem mais letais. Isso acontece, por exemplo, com o vírus da gripe. De tempos em tempos, há pandemias de vírus da gripe provocadas por cepas que são mais letais.

Com relação à possível resistência às vacinas das novas cepas de SARS-COV-2 identificadas recentemente, não temos essa informação. Ou seja, não sabemos ainda se as mutações, como a que foi identificada no Brasil, tornaram o vírus resistente às vacinas que já foram produzidas.

NOVO CORONAVÍRUS – mutações do vírus podem aumentar as chances de alguém ser infectado novamente?

Dr. Carlos Quadros – dependendo do tipo da mutação do vírus, ela pode favorecer uma reinfecção. Talvez essa seja uma explicação para o fato de já existirem alguns casos comprovados no mundo de reinfecção pelo novo Coronavírus. Isso pode, perfeitamente, ter acontecido por causa de uma mutação. Mas ainda levará um tempo para que essa hipótese seja comprovada ou não.

NOVO CORONAVÍRUS – pessoas infectadas assintomáticas podem transmitir o vírus?

Dr. Carlos Quadros – no caso do novo Coronavírus, as pessoas infectadas e assintomáticas podem sim transmitir para outras pessoas. Essa é, inclusive, uma das causas de ele ter provocado uma pandemia, pois as pessoas podem ser contaminadas por outras que estão infectadas com o vírus e não têm sintoma algum.

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NOVO CORONAVÍRUS – as medidas de proteção pessoal podem ser abandonadas depois que a pessoa for vacinada?

Dr. Carlos Quadros – as medidas de proteção não podem ser deixadas de lado depois que a pessoa for vacinada contra o novo Coronavírus. Um dos motivos é porque não existe prova alguma de que o vírus não possa ser transmitido por alguém já vacinado. O que sabemos até agora é que isso acontece em relação a outras doenças, como a meningite B: a vacina dá proteção contra a doença, mas o micro-organismo que a provoca, que é a bactéria meningococo, pode permanecer na garganta da pessoa mesmo tendo sido vacinada e, assim, ser transmitido.

O outro motivo para não abandonar as medidas de proteção é que vacina alguma dá 100% de proteção. Umas protegem mais, outras menos, mas não existe proteção total. Então, existe a possibilidade de a pessoa ser infectada pelo novo Coronavírus mesmo tendo sido vacinada e de transmitir o vírus para os outros.

Então, as medidas de proteção pessoal que foram adotadas para prevenir a infecção pelo novo Coronavírus devem ser mantidas por um bom tempo mesmo após ser vacinado. Como a higienização das mãos, o uso de máscara e o distanciamento. Porque elas servem também para proteger as outras pessoas, além de si próprio.

 

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Dr. Carlos Quadros é infectologista e coordenador do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH), do Hospital e Maternidade Christóvão da Gama.

 

 

Este conteúdo é meramente informativo e educativo, sendo destinado para o público em geral. Ele não substitui a consulta e o aconselhamento com o médico e não deve ser utilizado para autodiagnóstico ou automedicação. Se você tiver algum problema de saúde ou dúvidas a respeito, consulte um médico. Somente ele está habilitado fazer o diagnóstico, a prescrever o tratamento mais adequado para cada caso e acompanhar a evolução do quadro de saúde do paciente.
Testemunhos

Gostaríamos de agradecer ao Dr Pierry Louys Batista, em nome de todos os pediatras, toda equipe assistencial, de atendimento, segurança, higiene e do laboratório Delboni, pois percebemos que houve a verdadeira hospitalidade que todos falam, mas poucos exercem: a de fora dos livros.

Gustavo Ambrósio Tenório

Equipe de enfermagem muito bem preparada, atenta e disponível para qualquer chamado. Muito educada e cordial também, por exemplo, sempre ao entrar no quarto os enfermeiros avisavam meu pai que a luz seria acesa, não acendendo diretamente na “cara” da pessoa, que estava despreparada.

Antônio Rafael de Carvalho
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