Usar máscara no calor para prevenir Covid-19 pode causar algum problema de saúde?

Basta o tempo esquentar e as pessoas vão em massa para praias e áreas públicas de lazer. Mas é seguro ir para lugares ao ar livre sem a máscara no calor durante a pandemia de Covid-19? A máscara pode provocar algum problema de saúde se for usada quando a temperatura está alta? Quais são, de fato, as medidas que ajudam a prevenir a infecção pelo novo Coronavírus? Para falar sobre o uso da máscara no calor e o quanto ela protege de fato as pessoas e outras formas de prevenção, o Grupo Leforte convidou o infectologista Marcello Jardim, do Hospital Leforte Morumbi.

 

Uso da máscara no calor

Usar a máscara em tempo quente não provoca problema de saúde ou aumenta as chances de isso acontecer, esclarece o Dr. Marcello. “O que pode ocorrer é o uso contínuo da máscara causar algum desconforto no início, mas nada que ponha a saúde de alguém em risco. Depois de algum tempo, o normal é que a pessoa acostume e o desconforto inicial desapareça”.

Mas o Dr. Marcello alerta para alguns cuidados importantes em relação ao uso: “caso a máscara tenha material sintético, é preciso se certificar de que ele não provoca alergia e se a pessoa suar no rosto e umedecer o tecido da máscara, ela deve ser imediatamente trocada por outra seca e limpa, porque o tecido úmido ou molhado facilita a passagem do vírus. Além disso, não é recomendável que a pessoa use a mesma máscara por muitas horas seguidas”.

“Não existem ainda estudos sobre o tempo máximo de proteção que uma máscara que não seja para uso profissional oferece. Até porque, como não são padronizadas, podem ter materiais e modelagens diferentes”, diz o médico. Entretanto, para garantir uma segurança maior, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomenda a troca de três em três horas no máximo e tomar os seguintes cuidados ao manusear a máscara:

  • Antes de colocar e depois que tirar, lavar as mãos com sabão ou aplicar álcool em gel a 70%;
  • Sempre pegar pelas alças ou elástico quando colocar, ajustar no rosto e tirar;
  • Colocar cobrindo queixo e o nariz, de forma que fique justa no rosto;
  • Não tocar no pano da máscara, nem ao tirar;
  • Não retirar para falar, tossir ou espirrar;
  • Ao retirar a máscara, colocá-la para lavar ou em um saco plástico fechado até poder fazer isso;
  • Não compartilhar as máscaras que utilizar, mesmo se estiverem limpas.

Sobre o uso da máscara no calor por quem tem a pele mais oleosa ou com acne, o Dr. Marcello recomenda procurar um especialista. “As pessoas que têm algum tipo de problema na pele do rosto, seja uma oleosidade maior ou algum grau de acne, devem procurar um dermatologista para ele orientar quanto ao uso da máscara nessas condições e indicar, se necessário, um tratamento”.

 

Uso da máscara ao ar livre

Em locais bem ventilados e sem aglomeração, mesmo que exista uma pessoa infectada sem máscara, a concentração do novo Coronavírus é muito menor. “Para que o vírus consiga infectar alguém, é necessário que a pessoa tenha contato com uma grande quantidade de partículas dele”, diz o Doutor Marcello.

Entretanto, ele alerta que não se sabe a partir de qual quantidade exatamente há um risco efetivo de contágio e existem vários fatores que podem influir na quantidade de partículas do vírus a que uma pessoa fique exposta, mesmo ao ar livre. Além disso, o contágio também pode acontecer ao tocar superfícies contaminadas e não as higienizar antes de, por exemplo, tocar o rosto.

Estudos também mostram que quando alguém está se exercitando, pode lançar micro gotículas contendo vírus a uma distância bem superior a dois metros. A distância apontada nesses estudos diverge, mas é grande. Então, “o melhor é a pessoa usar a máscara em lugares públicos e em áreas comuns, como o corredor do prédio, para não aumentar as chances de contrair o vírus ou de transmitir para alguém e colocar a saúde e a vida dos outros em risco se ela já estiver infectada e não souber”, pondera o Doutor Marcello.

 

Características da máscara para prevenir contágio pelo novo Coronavírus

Usar lenços, bandanas ou cachecóis como forma de se proteger do contágio pelo novo Coronavírus não é adequado, explica o Dr. Marcelo, “porque eles não possuem as características que a máscara deve ter, como as camadas de proteção e ajuste adequado ao rosto. Além disso, essas peças podem ser feitas de materiais que possuem uma trama que permite a passagem de micro-organismos com facilidade”.

“As máscaras para uso da população em geral precisam ter uma camada dupla de proteção no mínimo, um bom ajuste ao rosto e o tecido não pode ter uma trama larga”, orienta o médico. Ele diz que é possível fabricá-las em casa, mas é necessário que elas tenham determinadas características. As orientações da Anvisa para fabricação de máscaras caseiras são as seguintes:

  • Materiais – os melhores são tecidos que contenham algodão, mas também pode ser usado tecido não tecido (TNT);
  • Camadas de proteção – a recomendação é fazer com três camadas, sendo a primeira de tecido resistente à água, como poliéster ou nylon; a segunda, de tecido sintético ou algodão; e a terceira, de tecido com algodão.

 

Proteção da máscara contra o novo Coronavírus

Existem vários estudos indicando que a máscara caseira proporciona uma proteção grande contra o contágio por meio de gotículas geradas por pessoas infectadas quando respiram, falam, cantam, tossem e espirram. O Dr. Marcelo diz que “embora essa proteção possa variar de acordo com as características das máscaras, uma vez que elas não são padronizadas como as de uso profissional, a proteção aumenta se todos utilizarem”.

“Mas, a máscara não é a única forma de proteção que deve ser adotada pelas pessoas. Também é necessário evitar aglomerações, manter o distanciamento mínimo de dois metros das outras pessoas e higienizar as mãos com frequência. É a adoção desse conjunto de procedimentos que diminui bastante o risco de infecção”, ressalta o médico.

Por último, o Dr. Marcello explica como a máscara deve posicionada no rosto para diminuir as chances de contágio:

  • Cobertura – a máscara deve cobrir desde a parte debaixo da linha do maxilar até um pouco abaixo dos olhos, tapando totalmente a boca e as narinas;
  • Ajuste – ela ser bem ajustada ao rosto para que haja o mínimo possível de frestas, pois o vírus pode penetrar por elas.

 

Agende consulta com especialista em infectologia

Este conteúdo é meramente informativo e educativo, sendo destinado para o público em geral. Ele não substitui a consulta e o aconselhamento com o médico e não deve ser utilizado para autodiagnóstico ou automedicação. Se você tiver algum problema de saúde ou dúvidas a respeito, consulte um médico. Somente ele está habilitado fazer o diagnóstico, a prescrever o tratamento mais adequado para cada caso e acompanhar a evolução do quadro de saúde do paciente.
Testemunhos

Gostaríamos de agradecer ao Dr Pierry Louys Batista, em nome de todos os pediatras, toda equipe assistencial, de atendimento, segurança, higiene e do laboratório Delboni, pois percebemos que houve a verdadeira hospitalidade que todos falam, mas poucos exercem: a de fora dos livros.

Gustavo Ambrósio Tenório

Equipe de enfermagem muito bem preparada, atenta e disponível para qualquer chamado. Muito educada e cordial também, por exemplo, sempre ao entrar no quarto os enfermeiros avisavam meu pai que a luz seria acesa, não acendendo diretamente na “cara” da pessoa, que estava despreparada.

Antônio Rafael de Carvalho
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