Câncer do colo do útero e fertilidade: como a doença pode afetar a gestação e o desejo de ter filhos?

O câncer do colo do útero é um dos cânceres mais comuns nas mulheres. Mas a doença é silenciosa e os sinais e sintomas dela só costumam aparecer quando já está em estágio adiantado. Dependendo do caso, ela pode afetar o desejo de ter filhos futuramente e, se diagnosticada durante a gravidez, pode influenciar o desenvolvimento da gestação. Para falar sobre o assunto, o Grupo Leforte convidou o Dr. Marcelo Afonso Daia, que é coordenador da equipe de ginecologia da unidade Morumbi do Grupo.

 

CÂNCER DO COLO DO ÚTERO – o que é e qual a incidência dele no Brasil?

O Dr. Marcelo explica que o “câncer do colo do útero é um tumor maligno causado pela infecção do HPV na região inferior do útero (colo). Estima-se por volta de 16 mil novos casos por ano, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Câncer – INCA”, que mostram ainda que ele é o terceiro tipo de câncer mais frequente nas mulheres no Brasil, excetuando o câncer de pele não-melanoma, e a quarta causa de óbitos entre elas em consequência de algum tipo de câncer.

Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV (sigla em inglês para papilomavírus humano), sendo que em torno de 40 deles são capazes de infectar o trato ano-genital. Mas só cerca de 13 tipos são considerados oncogênicos, ou seja, podem levar ao desenvolvimento de câncer. Porém, os que têm maior risco de provocar a doença são os tipos 16 e 18, que, segundo o INCA, estão presentes em 70% dos casos do câncer do colo do útero.

 

CÂNCER DO COLO DO ÚTERO – qual os principais fatores de risco da doença e qual deles leva, mais frequentemente, ao desenvolvimento dela?

“A relação sexual sem preservativo, múltiplos parceiros, início precoce das atividades sexuais e tabagismo” são os principais fatores de risco da doença, conta o Dr. Marcelo. É importante saber que o câncer do colo do útero está associado, principalmente, com a infecção persistente pelo HPV-16 e pelo HPV-18, que são transmitidos por relação sexual sem proteção ou pelo contato genital pele com pele, mesmo não havendo a penetração – que também são as formas de transmissão de outros tipos de HPV que não provocam câncer, mas podem causar verrugas genitais e tumores nas vias respiratórias, especialmente o HPV-6 e o HPV-11.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a maioria dos tipos de HPV não causa problemas e desaparece do organismo sem qualquer tipo de tratamento alguns meses depois da infecção. Entretanto, em uma pequena parte dos casos, o vírus persiste e pode levar ao desenvolvimento de um câncer, sendo que o câncer do colo do útero é o mais frequentemente relacionado ao papilomavírus humano.

 

CÂNCER DO COLO DO ÚTERO – como é feita a prevenção do câncer do colo do útero?

Como forma de prevenir a doença, o Dr. Marcelo ressalta que é necessário “diminuir a exposição ao vírus HPV, principalmente com o uso de preservativos durante as delações sexuais”. Além disso, existe a vacina tetravalente contra HPV, que protege dos tipos 6 e 11 (que causam verrugas genitais) e dos tipos 16 e 18 (que são os mais oncogênicos).

Também é importante que as mulheres façam o exame Papanicolau periodicamente a partir da idade que o médico ginecologista recomendar, pois ele permite identificar lesões pré-cancerígenas ou o tumor em fase inicial, o que torna possível iniciar o tratamento precoce e aumenta as chances de sucesso. Isso porque a vacina não protege contra outros tipos de HPV que podem causar câncer, embora com risco menor.

 

CÂNCER DO COLO DO ÚTERO – quais as chances de sucesso no tratamento da doença?

“Se identificado precocemente, são altíssimas as taxas de sucesso no tratamento do câncer do colo do útero”, diz o Dr. Marcelo. De acordo com o INCA, quando o diagnóstico é feito na fase inicial da doença, as chances de cura são de 100%. O exame preventivo é fundamental para isso, pois a doença é silenciosa no início. Possíveis sinais e sintomas, como sangramento vaginal, corrimento e dor só costumam surgir quando ela já está mais avançada.

 

CÂNCER DO COLO DO ÚTERO – o câncer do colo do útero pode afetar a gestação e, eventualmente, a capacidade de reprodução?

O Dr. Marcelo conta que “o câncer do colo do útero provoca alteração na estrutura do órgão, o que, consequentemente, pode afetar a evolução da gestação. Mas é possível ter o filho levando em conta alguns fatores, como o estágio da doença, o tempo de gestação e o tratamento que será adotado”.

Quando o diagnóstico se dá em outro momento da vida da mulher e ela quer poder engravidar posteriormente, a possibilidade de ter filhos vai depender do estágio da doença, do tipo do tumor e da saúde dela. De acordo com o caso, existem métodos que podem ser considerados com a devida orientação médica para preservar a fertilidade. Por exemplo, o congelamento de óvulos para uma fertilização in vitro posterior.

 

CÂNCER DO COLO DO ÚTERO – a gravidez pode dificultar o diagnóstico da doença?

“Não deveria”, pondera o médico. “A dificuldade do diagnóstico nesse período se dá pela falta dos exames preventivos no período e nos pós-parto”. Entretanto, segundo o Ministério da Saúde, entre os cânceres ginecológicos, o do colo do útero é o mais comum na gravidez. A estimativa é de 12 casos a cada 10 mil gestações.

 

CÂNCER DO COLO DO ÚTERO – quando a doença é detectada na gravidez, qual o risco para o feto e como deve ser o tratamento?

“O plano de tratamento do câncer do colo do útero durante a gestação depende da idade gestacional, do estadiamento da doença e do desejo de engravidar futuramente”, diz o Dr. Marcelo. Então, se a doença está no estágio inicial, pode ser possível adiar o tratamento para depois do parto. Mas, se for diagnosticada em estágio avançado no início da gestação, é aconselhável tratar imediatamente. E se o diagnóstico for realizado mais para o final da gestação, é preciso avaliar o risco de adiar o início do tratamento até que o feto se desenvolva o suficiente para ser possível realizar o parto.

Seja em que momento da vida for, o diagnóstico do câncer do colo do útero tem um impacto emocional grande, ainda mais durante a gravidez. Em função disso, o Dr. Marcelo ressalta a importância de ter uma rede de apoio: “ela sempre é importante nas nossas vidas, principalmente nas doenças oncológicas, que deixam as pacientes mais fragilizadas quanto ao futuro de vida”, conclui.

Dr. Marcelo Afonso Daia

Dr. Marcelo Daia é cirurgião ginecológico, CEO da Clínica Daia Venturieri e coordenador da equipe de ginecologia do Hospital Leforte Morumbi.

Este conteúdo é meramente informativo e educativo, sendo destinado para o público em geral. Ele não substitui a consulta e o aconselhamento com o médico e não deve ser utilizado para autodiagnóstico ou automedicação. Se você tiver algum problema de saúde ou dúvidas a respeito, consulte um médico. Somente ele está habilitado fazer o diagnóstico, a prescrever o tratamento mais adequado para cada caso e acompanhar a evolução do quadro de saúde do paciente.
Testemunhos

Gostaríamos de agradecer ao Dr Pierry Louys Batista, em nome de todos os pediatras, toda equipe assistencial, de atendimento, segurança, higiene e do laboratório Delboni, pois percebemos que houve a verdadeira hospitalidade que todos falam, mas poucos exercem: a de fora dos livros.

Gustavo Ambrósio Tenório

Equipe de enfermagem muito bem preparada, atenta e disponível para qualquer chamado. Muito educada e cordial também, por exemplo, sempre ao entrar no quarto os enfermeiros avisavam meu pai que a luz seria acesa, não acendendo diretamente na “cara” da pessoa, que estava despreparada.

Antônio Rafael de Carvalho