Janeiro Branco chama a atenção para a urgência do cuidado com a saúde mental

A campanha Janeiro Branco existe para alertar sobre a necessidade dos cuidados com a saúde mental, usando a simbologia do início do ano para rever hábitos e colocar o autocuidado como meta. O Brasil é o país com mais pessoas ansiosas no mundo: 20 milhões de brasileiros sofrem de ansiedade, englobando também o transtorno obsessivo-compulsivo, fobias, estresse pós-traumático e ataques de pânico, de acordo com a OMS. O país também está em segundo lugar no ranking global da depressão, que atinge 12 milhões de pessoas.

Para abordar o tema, especialmente no contexto de pandemia que enfrentamos, o Grupo Leforte entrevistou Raquel Franco, psicóloga com especialização em psicologia clínica, psicologia hospitalar e em cuidados paliativos.

 

É correto afirmar que todas as pessoas precisam de psicoterapia para manter a boa saúde mental?

Raquel Franco – Em alguma fase da vida, as pessoas vão enfrentar uma angústia, um conflito maior e nesse momento é muito importante fazer a psicoterapia. Independentemente disso, ela enriquece a qualidade de vida de quem faz e das pessoas em volta, então ela é sempre proveitosa. Por exemplo, às vezes estamos tão fixados em uma situação que só conseguimos encará-la sob uma perspectiva só. A psicoterapia permite enxergar outros caminhos, descobrir gatilhos que despertam sentimentos desconfortáveis e lidar com isso.

Outra situação comum é o costume de passar por cima de coisas que aconteceram, por não saber lidar com elas. Isso faz com que, muitas vezes, as pessoas ajam de forma impulsiva. Com a psicoterapia, nós conseguimos ajudar essas pessoas a tirar esses “fantasmas” de debaixo do tapete. Ao aprender a lidar com eles, elas têm mais recursos, se conhecem melhor e lidam melhor com as próprias vidas e com as outras pessoas.

 

Ultimamente temos visto pessoas em festas e aglomerações com o argumento de que precisavam abandonar o distanciamento social para cuidar da saúde mental, o que tem preocupado profissionais e órgãos de saúde. Quais os maiores equívocos que as pessoas cometem ao tomarem ações julgando ser “em prol da saúde mental”?

Raquel Franco – Algo que percebo quando as pessoas falam “fiz tal coisa, saí, fui para o bar em prol da minha saúde mental”, “estava sem máscara mesmo” ou “bebi em prol da minha saúde mental”, é que são tentativas de justificar ações que vão na contramão do que a própria pessoa sabe que era pra ser seguido. Ela tenta usar a frase “em prol da saúde mental” como uma desculpa, mas ela se sente colocando algo em risco, se não ela não estaria justificando o que ela está fazendo.

Pensando na pandemia, é importante lembrar que as pessoas tem diferentes formas de lidar com as questões da vida. Há aquelas que enfrentam, mas, para outras, lidar com a realidade vai muito além do que elas conseguem. Então acabam negando, fingem que não é tão sério assim, para não ter que lidar com fatos que lembram a elas que elas são frágeis, humanas.

 

Existe um cuidado que podemos considerar ideal com a saúde mental?

Raquel Franco – O cuidado com a saúde mental é multifatorial, não está só ligado às emoções. É o cuidar dos nossos relacionamentos – com nós mesmos, com familiares, com os colegas de trabalho. Para ter saúde mental de fato, precisamos também cuidar da saúde física, da alimentação, fazer atividades físicas, ter momentos de lazer, não apenas trabalhar. É importante também cuidar da espiritualidade, da forma que cada um enxergar, não é preciso ter uma religião para isso.

Eu acrescentaria também que é importante aprender a relaxar e reforçar os relacionamentos positivos, principalmente nesse momento de pandemia, por conversas virtuais, e minimizar o que traz estresse.

 

Na sua percepção, quais os maiores desafios que as pessoas enfrentam nos dias de hoje que acabam impactando na saúde mental?

Raquel Franco – As pessoas já tinham muitos desafios antes da pandemia: a pressão do mundo familiar, do meio corporativo, as expectativas pessoais, as adversidades que aparecem na vida, o trânsito, o medo da violência, as questões econômicas.

Com a pandemia, algumas referências nós tínhamos no cotidiano mudaram. Uma das primeiras foi o hábito de encontrar as pessoas e dar abraço, dar beijo, que de repente, se tornou uma ameaça a nossa saúde e a do outro. Isso gerou um estresse para muita gente. Na sequência, veio o confinamento. A maioria não teve tempo de se estruturar ou nem teve essa opção pois mora em um lugar pequeno e com muitas pessoas. Pessoas que já estavam em relacionamentos conflituosos se viram obrigadas a ficar no mesmo ambiente. De outro lado, teve os profissionais da saúde e de setores essenciais, que continuaram trabalhando intensamente.

Todo cenário acaba trazendo uma sensação de desamparo, porque a vida ficou diferente; raiva, porque a liberdade de ir e vir ficou limitada; medo do risco do adoecimento. Muita gente também ficou entediada, pois não sabia como ocupar seu tempo em casa. Além das perdas – financeiras, pois muita gente ficou desempregada ou teve redução de salário – e de pessoas queridas, seja pela Covid-19 ou por outras doenças.

 

Segundo a OMS, atualmente, o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo e de acordo com um estudo feito pelo Ministério da Saúde, 74% dos brasileiros relataram algum tipo de transtorno ansioso. É possível reverter esse cenário, considerando o contexto pandêmico que estamos vivendo?

Raquel Franco – Não é fácil, dá trabalho e exige esforço pessoal, mas podemos melhorar nossa forma de lidar conosco e com o cotidiano. Algumas dicas que dou são:

  • Determinar o tempo de consumo de notícias – escolha um noticiário que você quer e confia para assistir uma vez ao dia. Ter contato com a mesma notícia o tempo todo aumenta a ansiedade.
  • Fazer alguma atividade física, dentro dos limites de cada um – que seja uma caminhada, uma aula online de yoga ou alongamento, para manter o corpo em atividade.
  • Exercitar a espiritualidade – pode ser com uma meditação simples, usando a respiração de âncora. Quando ficamos ansiosos, a respiração fica curta. Um jeito de melhorar o sintoma da ansiedade é trabalhar a respiração da seguinte forma: respirar em oito segundos e expirar em oito segundos, mantendo dessa forma até perceber que o ritmo está normalizado.
  • Fazer alguma atividade de lazer que goste – pode ser cozinhar, fazer algum trabalho manual, pintar a casa, reformar um móvel, ler um livro, assistir a um filme.
  • Reforçar os pensamentos positivos – pois eles trazem uma sensação de bem-estar. Então sempre focar no que é bom, chegar ao final do dia e pensar “o que eu tenho de bom na minha vida?”, “o que tem de bom na minha casa?” ou “o que teve de bom no meu dia?” – nem que seja o gosto do café ou da comida. Resgatar essas memórias traz uma sensação boa para o corpo.
  • Manter contato virtual com pessoas queridas – uma opção que sugiro são jantares virtuais com a família e amigos, cada um da sua casa comendo e conversando.

Por fim, é importante ressaltar que o todo contexto da pandemia que citamos acabam aumentando os índices de depressão e ansiedade. Nós aconselhamos que as pessoas estejam sempre atentas e procurem nossa ajuda antes que os sintomas fiquem mais difíceis de lidar.

Atenção, este conteúdo é meramente informativo!

Este conteúdo é meramente informativo e educativo, sendo destinado para o público em geral. Ele não substitui a consulta e o aconselhamento com o médico e não deve ser utilizado para autodiagnóstico ou automedicação. Se você tiver algum problema de saúde ou dúvidas a respeito, consulte um médico. Somente ele está habilitado a fazer o diagnóstico, a prescrever o tratamento mais adequado para cada caso e a acompanhar a evolução do quadro de saúde do paciente.

Este conteúdo é meramente informativo e educativo, sendo destinado para o público em geral. Ele não substitui a consulta e o aconselhamento com o médico e não deve ser utilizado para autodiagnóstico ou automedicação. Se você tiver algum problema de saúde ou dúvidas a respeito, consulte um médico. Somente ele está habilitado fazer o diagnóstico, a prescrever o tratamento mais adequado para cada caso e acompanhar a evolução do quadro de saúde do paciente.
Testemunhos

Gostaríamos de agradecer ao Dr Pierry Louys Batista, em nome de todos os pediatras, toda equipe assistencial, de atendimento, segurança, higiene e do laboratório Delboni, pois percebemos que houve a verdadeira hospitalidade que todos falam, mas poucos exercem: a de fora dos livros.

Gustavo Ambrósio Tenório

Equipe de enfermagem muito bem preparada, atenta e disponível para qualquer chamado. Muito educada e cordial também, por exemplo, sempre ao entrar no quarto os enfermeiros avisavam meu pai que a luz seria acesa, não acendendo diretamente na “cara” da pessoa, que estava despreparada.

Antônio Rafael de Carvalho
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