O que é a Síndrome de Asperger?

Para entendermos melhor a Síndrome de Asperger, precisamos falar sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), condições neurológicas caracterizadas por déficit na comunicação verbal e não verbal, socialização e comportamentos restritivos e repetitivos. Existem muitos subtipos de transtorno, por isso o termo “espectro” é usado para representar os níveis de comprometimento que variam de intensidade, desde graus mais leves a severos.

“O Asperger é considerado um tipo de comportamento com peculiaridades, geralmente caracterizado por inteligência acima da média; comunicação e habilidades sociais prejudicadas; ausência de contato visual; necessidade rígida de regras e rotinas; e podem apresentar ansiedade e/ou depressão”, explica a neuropediatra do Hospital Leforte Morumbi e Kids Leforte, Maria Cecília Lopes da Conceição.

A Síndrome de Asperger é um dos tipos de autismo mais leves, que se manifesta desde a infância e pode variar de uma criança para outra já que algumas possuem características mais aparentes do que outras.
Por esse motivo, em grande parte dos casos, o Asperger é descoberto apenas na vida adulta quando alguns indivíduos apresentam quadro de depressão e episódios recorrentes de ansiedade.

  • Dificuldade de interação e introspecção
    Pessoas com Asperger têm dificuldades de se relacionar com outras devido a dificuldade de entender as próprias e as emoções alheias, sendo menos interativos quanto a troca de afetividade. Além disso, existe a dificuldade de iniciar ou manter conversas, que prejudica a troca de experiências com indivíduos de uma forma geral.
  • Dificuldade de adaptação às regras sociais
    Compreender as regras sociais é um grande desafio para pessoas com Asperger. Por isso, eles apresentam um certo pensamento rígido com determinados comportamentos ou posicionamentos.
  • Necessidade de cumprir rotinas fixas
    Pessoas com Asperger não gostam de mudanças de rotina, por isso criam cronogramas e horários para as tarefas que facilitam o dia a dia.
  • Descontrole emocional
    Como possuem dificuldades em lidar com as emoções, podem se sentir sobrecarregados emocionalmente e ter dificuldade em controlar suas ações.

“Quase todos neuroatípicos por TEA apresentam algum grau de hiperacusia (sensibilidade exagerada aos ruídos), além de algumas estereotipias motoras ou vocais. Todas essas dificuldades podem ser percebidas muito precocemente (antes dos dois anos), mesmo antes de qualquer diagnóstico médico”, destaca a neuropediatra.

Os sintomas da Síndrome de Asperger podem ser facilmente confundidos com outros transtornos ou apenas com determinadas características de personalidade. Crianças e adultos são submetidos a avaliação neurológica, psicológica e pedagógica para entender o comportamento e assim confirmar ou descartar o diagnóstico.

“Com o diagnóstico e a intervenção precoce, é possível identificar as terapias mais adequadas e oferecer ferramentas para ajudar essas crianças a lidar com suas dificuldades e garantir que tenham seus próprios conceitos sobre o mundo externo”, explica Maria Cecília.

Trabalhar para melhorar a habilidade na interação e na comunicação social das crianças com Asperger ajudará a torná-las adultos mais seguros, confiantes e com um índice muito menor de comorbidades como transtornos psiquiátricos.

O tratamento é multiprofissional, com medidas educativas; indicação de tratamento farmacológico e comportamental; apoio pedagógico e profissional menos restritivo, mais tolerante e agradável.

A neuropediatra ainda destaca que o diagnóstico diferencial com outras formas de autismo ainda é um desafio e depende de seguimento clínico especializado.

“Existe também o autismo de alta performance – ambos sendo formas verbais de autismo – onde as crianças desenvolvem a fala, muitas vezes com um excelente discurso, outras vezes com ecolalia ou com discreto atraso na aquisição da linguagem. Neste último, frequentemente são vistas como tímidas ou muito retraídas. O diagnóstico diferencial aqui pode ser obtido com baterias de testes neuropsicológicos”.

É importante destacar que a Síndrome de Asperger não é uma doença e sim uma condição que pode ser administrada com tratamentos e terapias comportamentais que ajudam crianças e adultos a conviver melhor, ter mais autonomia e levar uma vida normal.

Dra. Maria Cecília Lopes da Conceição é neuropediatra no Hospital Leforte Morumbi e Kids Leforte. Atende às quintas e sextas-feiras, no período da manhã. Agendamento: Call Center/WhatsApp (11) 3345-2288, online ou ainda pelo APP do Grupo Leforte.

Este conteúdo é meramente informativo e educativo, sendo destinado para o público em geral. Ele não substitui a consulta e o aconselhamento com o médico e não deve ser utilizado para autodiagnóstico ou automedicação. Se você tiver algum problema de saúde ou dúvidas a respeito, consulte um médico. Somente ele está habilitado fazer o diagnóstico, a prescrever o tratamento mais adequado para cada caso e acompanhar a evolução do quadro de saúde do paciente.
Testemunhos

Gostaríamos de agradecer ao Dr Pierry Louys Batista, em nome de todos os pediatras, toda equipe assistencial, de atendimento, segurança, higiene e do laboratório Delboni, pois percebemos que houve a verdadeira hospitalidade que todos falam, mas poucos exercem: a de fora dos livros.

Gustavo Ambrósio Tenório

Equipe de enfermagem muito bem preparada, atenta e disponível para qualquer chamado. Muito educada e cordial também, por exemplo, sempre ao entrar no quarto os enfermeiros avisavam meu pai que a luz seria acesa, não acendendo diretamente na “cara” da pessoa, que estava despreparada.

Antônio Rafael de Carvalho
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